Há um ano e meio recebi o primeiro convite desse tipo. Vieram outros, e todos tinham a mesma forma: um projeto com início, meio e fim — uma digitalização, uma mudança estrutural, uma decisão grande — que pedia senioridade e não pedia um diretor. A demanda do dia a dia não sustentava a cadeira; o projeto não andava sem ela.
Por um tempo tratei isso como exceção. Até entender que era o formato. Se o mesmo convite chega de empresas diferentes, o que falta no mercado não é profissional disponível: é uma forma de contratar senioridade por tempo determinado sem abrir uma vaga para isso.
Aí começou a parte que deu trabalho. Vender uma cadeira por fração do tempo obriga a resolver três coisas: provar o que foi feito sem transformar a relação num relatório mensal; controlar as horas de um jeito que o cliente enxergue e homologue; e atravessar as primeiras semanas — aquelas em que se entende a empresa, e que são as mais caras — sem cobrá-las como um estudo à parte. A metodologia e o portal em que o cliente acompanha tudo nasceram das duas primeiras perguntas. O formato de contrato nasceu da terceira.
E faltava uma peça. Um executivo sozinho, vendendo a própria cadeira, esbarra num limite óbvio: quando o cliente precisa de outra cadeira, ele não tem o que oferecer — e quando se vende, muitas vezes está abrindo a porta para o trabalho de outro. Conversei sobre isso com o Nelson Blanco, que conheço de longa data. Ele entendeu o modelo na primeira conversa e topou. A rede começou aí, e é por isso que ela cresce: a cadeira que um ocupa é a porta da cadeira ao lado.